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O caminho da maturidade

Por Leandro Guarnieri em 08/06/2010

Gosto da maneira como Jesus trata Pedro, como ele o conduz da impulsividade à maturidade. Vejo isso através de alguns relatos dos evangelhos.

O primeiro se encontra em Mateus 16, onde Jesus começa a falar claramente sobre seus sofrimentos.


Tais revelações foram tão dolorosas para Pedro que este chama Jesus à parte e o reprova, dizendo que era para ele ter compaixão de si mesmo. E acrescenta: “isso de modo algum te acontecerá” (v. 22). Então, Jesus parte para a mais dura repreensão que alguém possa sofrer: “Arreda, Satanás”. Pedro se deixou ser usado pelo diabo. Isso nos adverte o quanto nossas boas intenções, aliadas ao nosso fraco entendimento, podem ser prejudiciais aos propósitos maiores de Deus na vida das pessoas.

Seis dias depois, Pedro está diante da transfiguração de Jesus. O momento foi tão maravilhoso que ele não queria que acabasse. Então, impulsivamente, sugere a Jesus a confecção de tendas, para que ele, Tiago e João desfrutassem por mais tempo da companhia de Jesus, Moisés e Elias. Marcos acrescenta que a visão os deixara “aterrados”, a ponto de não saberem o que dizer. Melhor seria se Pedro tivesse ficado calado! Precisamos dos “vales”, que também fazem parte da realidade cotidiana.

Talvez o evento mais famoso na vida de Pedro seja a negação. O mais surpreendente é que Pedro havia sido avisado por Jesus! O diálogo de Mateus 26 mostra ainda a insistência de Pedro: “Ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo nenhum te negarei.” (v. 35). Pobre Pedro. Por que não acreditou em Jesus? Por que não guardou e refletiu em suas palavras? Dito e feito. Pouco depois, ele teve de chorar amargamente.

Então, Jesus morre. Ah, como deve ter sido difícil para Pedro! Nenhuma palavra mais. Nenhum pedido de desculpa. Só o remorso e o vazio. O Mestre morreu. Resta agora a pescaria e a companhia dos outros discípulos.

Mas, eis que Jesus não quer que sejamos como meninos. Ele quer que cresçamos. Também sabe que precisamos de mais uma chance, um pedido de desculpas, de olhar novamente em seus olhos. E ele o faz. Ressuscita e manda avisar aos discípulos e a Pedro que ele iria adiante deles para a Galiléia. De todos os encontros que teria, parece que o de Pedro era especial.

E eis que acontece. Em mais uma refeição com os discípulos, a pergunta crucial a Pedro: “Tu me amas?” Apesar de um verbo diferente (a pergunta de Jesus é sobre o amor incondicional. A resposta de Pedro é sobre o amor de amigo), agora Pedro está pronto a entender que tipos de sacrifícios o esperavam em favor do Mestre (Jo 21:19). E, de “quebra”, um prenúncio do gênero de morte que teria.

Agora, depois das cartas de um Pedro amadurecido, ele já está pronto a ser crucificado de cabeça para baixo.

 

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