Temos um casal de missionários entre os yanomamis, o Coy e a Miriam, que já são nossos velhos conhecidos; fico impressionada com a seriedade e o amor ao trabalho missionário. Já estivemos lá com eles, eu e minha família, e pudemos conhecer pessoalmente o local, os índios, os problemas que eles enfrentam há quase 30 anos no projeto de levar àquela etnia a pessoa de Jesus através do ensino bíblico contextualizado.
Segundo eles, alguns índios, às vezes, mostram interesse, se dizem convertidos mas, acabam voltando para seus rituais. Com muita perseverança, eles nunca desistiram da missão para o qual Deus os chamou.
Por tudo isso, a última cartinha da Miriam enche o nosso coração de alegria e de esperança. Transcrevo abaixo um trecho em que ela fala do Ezequiel, um índio em quem eles têm investido muito tempo nos últimos anos:
“... por falar nele, ele perdeu o filhinho mais novo, de forma inesperada, há três meses. Foi uma virose muito forte e apesar de ter sido removido com urgência para Boa Vista, faleceu. Foi muito difícil para ele e para sua esposa. Depois de muitos dias de choro e lamentação ele teve que fazer algumas coisas da cultura, como sair para caçar na mata e depois outras coisas que eles fazem com o pó dos ossos do falecido.
Bem, ele rejeitou tomar o pó do osso misturado com mingau de banana e, publicamente, falou que não ia fazer, porque era diferente. E também ele agiu de forma diferente enquanto estavam caçando. Eles têm muitas superstições, principalmente quando caçam para a “festa” de um morto. Ele também não fez nada do que eles costumam fazer, foi um pouco difícil para ele ficar firme, mas sempre enfatizava: “eu sou diferente, eu sou seguidor de Deus e não faço mais essas coisas como vocês”.
É muito difícil ser diferente numa comunidade de costumes e regras fortes e que fazem uma pressão b em grande para que elas sejam observadas por todos. Os crentes aqui na tribo são perseguidos pelas críticas cada vez que agem diferente dos outros. Mas, por outro lado são pessoas mais comprometidas em ajudar as suas famílias nos trabalhos coletivos, e são de mais confiança. O Ezequiel, principalmente apesar das diferenças é de confiança para algumas questões na vida da sua tribo.”
Coy e Miriam Rocha
Ser cristão é muito mais que levantar a mão em um culto e “aceitar a Jesus”; na verdade, este ato deve ser apenas o início de uma transformação radical em nossas vidas, que vai nos levar a andar na contramão de uma sociedade pervertida e nem um pouco melhor do que as etnias mais primitivas.
A essência de qualquer cultura é o homem com um coração corrompido pelo pecado, cuja única solução é a pessoa de Jesus. Segundo I Pedro 2:9, nós somos a nação santa, o povo escolhido de Deus para anunciarmos as boas novas do evangelho e proclamarmos a salvação em Jesus Cristo.
Esse chamado e essa missão deve fazer de cada um nós pessoas diferentes. Somos?
No amor de Jesus.