A crise financeira que abala o mundo não chegou de forma inesperada como a tsunami que arrasou a Indonésia em 2006. Em 1985, Joseph Ratzinger, que na época era cardeal, escreveu um artigo afirmando que “uma economia desregulada entraria em colapso por seus próprios pecados”.
Na década de 90, algumas vozes apregoavam que chegaria um momento em que os desequilíbrios do mundo financeiro causariam estragos imprevisíveis.
Por que atitudes não foram tomadas? A resposta é que o mundo vivia uma fase tão eufórica de crescimento, que ninguém quis assumir a responsabilidade de diminuir a velocidade dessa roda de prosperidade. Os olhos seduzidos pelos números positivos nas bolsas de valores e nos PIBs dos paises emergentes justificavam tudo. Até mesmo abdicar de valores que facilmente são esquecidos quando somente “os resultados” se tornam no motivo maior para justificar todas as ações.
No chamado “meio evangélico” passou a ser comum adotar-se resultados numéricos para decretar que uma igreja está sendo abençoada. Pastores são avaliados e admirados pelo crescimento das igrejas que lideram.
- Sua igreja só tem um culto? Pois saiba que a minha tem dois e, mesmo assim, há dias em que faltam lugares para tanta gente!
Uma “cultura evangélica” avaliada apenas pelo crescimento numérico, e que, para isso, abdica de valores que se constituem no próprio cerne do cristianismo, corre todos os riscos de sucumbir assim como acontece hoje com a economia mundial.
Onde está a denúncia sobre o pecado e as trágicas conseqüências que ele traz - senão imediatamente - a médio e longo prazo?
Se, juntamente com o empenho no crescimento numérico, o meio evangélico brasileiro não resgatar os valores do perdão, da misericórdia, da justiça, da verdade e, principalmente, do amor e da comunhão do Corpo de Cristo, chegará um tempo em que as igrejas sucumbirão como aconteceu no norte da África no passado, e está acontecendo hoje na Europa.